Somos o 9.º A da Escola EBI c/JI Cidade de Castelo Branco. Neste blog, publicaremos os nossos trabalhos realizados no âmbito da disciplina de Área de Projecto.

08
Jun 10

António Ribeiro, ex-combatente na Guiné, conta que foi para a Guerra “…solteiro e para voltar para Portugal.”

Mas os planos de António sofreram uma grande reviravolta. “Nos tempos em que estive por lá, montei uma pequena oficina, era coisa que lá não havia.” Mas reviravolta maior foi ainda “…quando conheci a minha actual mulher, em Angola. Foi uma coisa estranhíssima, mas que deu frutos.”

Actualmente, vive em Castelo Branco e pergunta-se a si mesmo o porquê de terem existido tantas guerras... Sem resposta, conta emocionado que “…a guerra é muito fria, vi companheiros meus morrerem, mesmo ali à minha frente, por inúmeras razões. Assisti a momentos que, se os juntassem uns aos outros, faziam um filme, não de terror, mas de piedade, perante o enorme sofrimento daquelas pessoas.”

“Às vezes os meus filhos perguntam-me como era por lá a vida. Nesses assuntos, eu tento trocar a conversa, porque me vêm imagens à cabeça que me custam a esquecer.”

 

Jéssica Duarte

publicado por conta-mehistorias às 17:12

Manuel Capinha conta que ele e os seus colegas caminhavam pelo mato angolano, direitos ao território inimigo, sem saberem o que os esperava.

Ele caminhava mais ou menos no meio do batalhão, quando, de repente, ouviu um estrondo brutal. Tinha sido um dos seus companheiros que tinha caído numa armadilha dos militares angolanos, uma mina.

Manuel Capinha foi atingido na cara com estilhaços, ainda hoje os tem sob a pele.

Diz que, ao regressar de Angola, mal se deitava, eram tais os traumas que o feriam diariamente: ver as imagens que por lá decorreram, pensar que tantas pessoas por ele foram mortas.

“São situações muito complicadas...” relata.

Manuel Capinha define a Guerra Colonial, em Angola, como “O maior tormento, no fim do Mundo”.

 

Jéssica Duarte

publicado por conta-mehistorias às 17:05

07
Jun 10

José Manuel, de 66 anos, conta que o “ 25 de Abril foi uma revolução completamente inesperada”, José trabalhava num talho e viu-se surpreendido “ por muitos tropas que invadiam as ruas de Lisboa”.

Pelo que diz José, ninguém sai, nem ninguém entrava a passagem estava interdita e o pânico instalava-se em muitas pessoas, “estava tudo com medo, viviamos uma ditadura, um regime politico que nesse dia foi brutalmente derrubado, e foi bom esta revolução”.

Questionado sobre as diferenças após a “ Revolução dos Cravos”, assim chamada por todos, José comenta que “ A partir da data ( 25 de Abril de 1974 ) tudo mudou bastante, os Portugueses passaram a ser livres o que é muito importante. A liberdade é, realmente, a única coisa que um homem tem mesmo seu”

Podendo concluir que para José esta revolução veio mudar bastante a vida dos Portugueses, para melhor, efectivamente.

 

Jéssica Duarte

publicado por conta-mehistorias às 14:23

Luís Pereira conta-nos mais uma grande história da Guerra Colonial.

Ele ia num jipe de guerra com os seus companheiros de guerra, quando, numa grande emboscada, o exército angolano baleou o jipe do exército português por completo.

Quem olhasse para aquele jipe, dizia que não havia sobreviventes, mas sobreviveu um, apenas um dos onze que iam naquele jipe.

Luis Pereira conta que nunca mais esqueceu os gritos, o sangue, a aflição, mas acima de tudo, a morte, a morte daqueles que o acompanhavam nos momentos de guerra e sobrevivência.

“ Dificilmente se esquecem aqueles momentos. Apesar de sermos apenas companheiros de exército, passávamos muito tempo juntos e isso fez com que criássemos laços de amizade, jogávamos às cartas, contavamos aventuras de uns e de outros. “

Luis Pereira diz sobretudo que “tudo o que se vive lá, não é apagado à medida que vimos para cá, vem e fica para não mais esquecer.”

 

Jéssica Duarte

 

publicado por conta-mehistorias às 14:13

Francisco Santos foi pára-quedista, na Guerra Colonial.

Um dia, ao saltarem do avião com os pára-quedas, os Angolanos que os esperavam em terra começaram a atirar com as armas para os atingirem.

Francisco, diz que teve sorte de não ser um dos atingidos, mas conta que muitos dos seus companheiros morreram no ar!

Depois deste acontecimento, foi difícil para Francisco e para os restantes companheiros conseguirem adormecer, pois estavam com receio de serem mortos.

Com falta de alimento e já com bastante fome, viram-se obrigados a irem à caça para o mato e a comer carne de burro do mato (uma espécie de cabra grande).

“Com todos estes acontecimentos, vimo-nos obrigados a abandonar o terreno, pois não tínhamos grandes hipóteses de cumprir a nossa missão.” Relata Francisco Santos.

 

Jéssica Duarte

publicado por conta-mehistorias às 14:08

01
Jun 10

Chamo-me Armando Esteves loureiro e nasci em 1944, no concelho de Viseu.

Fui aos sete anos para a escola e, quando vinha da escola, tinha de guardar um rebanho de ovelhas. Consegui tirar a quarta classe, aos doze anos. Lembro-me que, quando era feriado, hasteavam a bandeira portuguesa e cantávamos o hino nacional.

Depois de fazer a 4.ª classe, fui trabalhar para as obras, até aos dezoito anos, altura de ir para a tropa. Estive na tropa, até aos 25 anos. Lá, a vida era muito difícil, pois não se podia falar de certas coisas, tal como o regime político.

Quando saí de tropa, fui para França. Durante a viagem, não tive problemas nenhuns. Atravessei as fronteiras a pé. Cheguei a França e estive 8 dias sem trabalhar. Comecei novamente a trabalhar nas obras.

Ao fim de três anos, nos quais conheci a minha mulher, também ela imigrante portuguesa, vim para Portugal, para nos casarmos. Um mês após o casamento, voltámos para França, desta vez já os dois estávamos legais.

Trabalhei lá até aos trinta e cinco anos, tendo nessa idade vindo definitivamente para Portugal. Quando cá chegámos comecei novamente a trabalhar na agricultura.

 

Armando e a mulher, em França.

 

Armando, em França, com a mulher, a filha e vizinhas.

 

Tânia Antunes

 

 

publicado por conta-mehistorias às 21:41

Chamo-me Maria Neves da Ressurreição e nasci em 1943, no concelho de Oleiros.

Entrei para a escola, mas, com uma vida tão pobre como era naquela altura, não pude prosseguir com os estudos, apenas fui à escola 15 dias, não aprendi a ler, nem a escrever.

Com 7 anos de idade, tive de vir para Castelo Branco sozinha, para começar a trabalhar na limpeza de casas, para poder comer. O ordenado eram vinte escudos por mês e só me deixavam ir ver os meus pais de meio em meio ano.

Aos 15 anos, voltei para a minha terra, a guardar ovelhas, até ir para a França, aos 25 anos.

Devido ao medo que tínhamos da PIDE, a minha viagem para França foi atribulada. Um homem da minha terra ofereceu-se para me levar a mim e às minhas companheiras, até um certo sítio. Aí, iam ter connosco uns colegas dele que nos levariam até Vilar Formoso. Levávamos connosco um rapaz que tinha fugido da tropa. Quando chegámos a esse lugar, o condutor viu vir um carro e pensou que era a PIDE. Com medo de ser apanhado com o fugitivo, mandou-nos esconder no meio do mato. Afinal, eram os colegas dele que iam continuar o caminho connosco, mas ele não tinha reconhecido os sinais.

Começaram a chamar pelos nossos nomes, mas quanto mais eles chamavam por nós, mais nós fugíamos pelo mato dentro, pensando que o condutor nos tinha denunciado com medo. Caminhámos sem parar até que decidimos subir para a estrada. Eles, que tinham continuado à nossa procura, foram ter ao mesmo sítio. Encarámo-nos assim uns com os outros, mas, como era de noite, tivemos tempo de fugir para o mato, mais uma vez. Deixámo-los com medo, pois pensaram que fossem animais. Nós ouvíamos tudo o que eles diziam.

De manhã, quando deixámos de os ouvir, uma colega minha pôs-se à estrada, encarando com eles a meio do caminho. Reconheceu-os logo e foi-nos avisar que não se tratava da PIDE. Pernoitámos na casa de uma vizinha e no outro dia prosseguimos viagem de carro até Vilar Formoso, onde nos deram indicações de como devíamos atravessar a fronteira para Espanha.

Chegada à França, tinha o meu irmão à minha espera, foi ele que me arranjou lá trabalho. Fiquei lá a trabalhar, conheci o meu marido, também imigrante português, e casei.

 

 

Maria e o irmão em França.

 

Tânia Antunes

publicado por conta-mehistorias às 21:34

31
Mai 10

Chamo-me Maria Rosa e nasci a 19 de Agosto de 1941, numa aldeia chamada Torre, junto à Serra da Gardunha.

Sou a mais nova, tenho mais uma irmã e um irmão. Os meus pais eram agricultores e criadores de gado. Como não possuíam terras, costumavam arrendar propriedades.

Nesses tempos, a vida não era fácil. Todos lá em casa começavam a trabalhar no campo e a ajudar nas tarefas da casa. Mesmo eu, sendo a mais nova, não escapava ao trabalho.

Sabíamos, logo de cedo, fazer todo o tipo de trabalhos, desde guardar ovelhas, ajudar na ordenha das vacas e também na preparação dos queijos para consumo próprio, mas também para vender. Assim poupávamos algum dinheiro para comprar outras coisas que faziam falta.

Tínhamos uma vida bastante dura, mas feliz. Além do trabalho, também frequentava a escola, mas só pude ir até à 4.ª classe, porque os meus pais achavam que as mulheres não precisavam de saber muito, tinham só que saber as coisas da casa e do campo.

Sou sincera, também naquela época não gostava de ir à escola, porque a nossa professora era muito severa e aterrorizava a turma toda. Quando não sabíamos responder, levávamos reguadas umas atrás das outras.

Foram passando, assim, os anos. Perto dos 17 anos, comecei a namorar com autorização dos meus pais. Namorava com um rapaz do Casal da Serra, aldeia perto da minha. A gente já se conhecia da escola e ao longo dos anos fomos sempre convivendo.

Quando ele fez 18 anos, foi destacado para Cabo Verde. Quando regressou, nós casámo-nos. Ele começou a trabalhar nas obras, chegou a ir até à Guarda e ao Sabugal. Não se ganhava muito, mas ia dando para o dia-a-dia.

Pensou então em imigrar para França, visto já lá ter o irmão mais velho a trabalhar. A primeira vez não correu lá muito bem. Ele e mais uns colegas foram apanhados pela guarda espanhola, a passar a fronteira de Portugal para Espanha. Foram presos e esteve na cadeia de Badajoz. O meu pai teve que arranjar uma certa quantia em dinheiro para poder libertá-lo.

Passados mais uns meses, tentou novamente e assim conseguiu chegar a França são e salvo. Foi até Paris. Nos primeiros tempos, foi muito difícil para ele, porque as condições de trabalho não eram as melhores e também devido às dificuldades com a língua.

Passaram-se 2 anos até eu ir ter com ele. Nessa altura, já ele trabalhava numa vila, no Sul de França, perto de Nîmes. Mas para eu ir, tive de viajar “a salto”, como se costumava dizer naquela altura, porque não conseguíamos arranjar passaporte. A minha viagem foi muito complicada, porque tinha receio de ser apanhada. A cada paragem de comboio, metia-me na casa de banho e não saía de lá até passar o revisor.

Ao chegar ao destino, também foi complicado, porque não sabia ao certo onde havia de ir. Mas com a ajuda de uma senhora francesa, lá consegui chegar.

Nos primeiros tempos, foi muito difícil, porque eu não sabia falar francês. Para fazer compras, ir ao médico, etc, só conseguíamos com a ajuda de outros portugueses que também lá estavam, mas outras vezes tínhamos que nos desenrascar sozinhos.

Pouco a pouco, conseguimos ultrapassar algumas dificuldades mas o convívio com os franceses nem sempre era muito agradável. Nos primeiros tempos da década de 70, em que havia trabalho para todos, tudo corria bem. Só que depois, com o passar dos anos, o emprego também começou a escassear e os franceses não viam com bons olhos os emigrantes.

Muitos deles afirmavam que nós tínhamos ido para o país deles, para lhes roubar o trabalho. Por isso, nos anos 80, o governo tentou incentivar os emigrantes a regressar às suas terras de origem e, em contrapartida, oferecia uma certa quantia de dinheiro e pedia a entrega dos papéis de autorização de estadia (carte de séjour).

Sendo assim, os emigrantes não podiam voltar a França. Muitos deles regressaram a Portugal. Eu e o meu marido não aproveitámos essa oferta porque achávamos que ainda não estava na altura de regressar a Portugal. Embora tivéssemos muitas saudades do nosso país e da nossa família, nós achávamos que a vida era mais fácil em França. Mais tarde, depois de ter os meus dois filhos, comecei a trabalhar como mulher-a-dias, tínhamos a vida desafogada. Construímos uma casa em Portugal e todos os anos regressávamos pelo Natal, era sempre uma alegria.

Nos primeiros anos, vínhamos de comboio. Depois o meu marido tirou a carta de condução e comprámos um carro. Foram passando os anos e fomos ficando na França. Hoje tenho uma filha, em Portugal, e um filho, em França. Fizeram cada um deles a sua vida, em países diferentes.

Tenho muita vontade de regressar a Portugal, mas também são anos passados aqui. Foram-se construindo amizades e foram-se adquirindo novos hábitos de viver, por isso é muito difícil escolher Portugal ou França.

Hoje em dia, sabendo tudo aquilo que sei, posso dizer que não voltaria a emigrar, porque, embora tivesse tido uma vida melhor, também foi uma vida dura, cheia de sacrifícios e longe dos familiares.

 

Eu à direita e a minha filha à esquerda.

 

Eu à direita e a minha filha à esquerda.

 

Evandro Breia

 

publicado por conta-mehistorias às 20:53

30
Mai 10

João de Almeida esteve, na Guerra Colonial, em Angola, onde era comandante de um batalhão.

Numa das caminhadas nocturnas, preparavam-se para acampar. Já formada a meia-lua, João deu-se conta de que os seus soldados estavam a ser cercados por uma tropa de Angolanos que, por sua vez, formaram um circúlo mais largo que abrangia todos os soldados Portugueses.

Naquelas tropas, se matassem o comandante, os restantes soldados “batiam em retirada”.

No tiroteio lançado pela tropa Portuguesa, ao acaso, um disparo foi atingir o Superior Angolano, sendo assim a sorte dos Portugueses, visto que era de noite e, caso isso não tivesse acontecido, todos teriam sido mortos, ali mesmo.

Noutra emboscada, ao prepararem-se para acampar, puseram as armas junto a uma árvore. Um dos soldados apercebeu-se de um rúido causado por um inimigo Angolano que tentava disparar, mas não conseguia, pois as balas encravaram, devido a ficarem danificadas, na passagem por rios. Notando isto, um dos soldados saltou para agarrar uma das armas, ao acaso, e disparou, acertando na perna do inimigo. Ao chegarem ao local, depararam-se apenas com três balas e um pedaço de carne da perna, no chão.

Jéssica Duarte
publicado por conta-mehistorias às 22:17

Maria Rita Antunes, de 76 anos, contou-me como foi o 25 de Abril. Na altura, tinha 40 anos e vivia com as suas três filhas que estavam a estudar.

Em Portugal, desde que Salazar subiu ao poder, vigorava um regime ditatorial que impedia o povo português de falar mal ou discordar de qualquer coisa que estivesse relacionada com política, pois caso o fizessem, seriam presos e rudemente torturados nas prisões.

A PIDE tinha sob escuta todas as vias de comunicação e ninguém sabia quem eram os membros da PIDE, porque estes andavam vestidos à civil. Tinha de se ter muito cuidado.

Anos depois, António de Oliveira Salazar ficou incapacitado de governar, devido a uma queda grave, e foi substituído por Marcelo Caetano que seguiu a política de Salazar.

Antes do 25 de Abril, todas as pessoas estavam descontentes, mas não o podiam demonstrar. No entanto, os estudantes faziam muitas manifestações.

A revolução foi organizada pelo Movimento de Capitães que organizou as tropas e as coordenou. A adesão popular veio depois, quando as tropas já estavam nas ruas.

Na madrugada de 25 de Abril, a Rádio Renascença passa a música de Zeca Afonso, “Grândola Vila Morena”, que moveria as tropas. Pelas ruas de Lisboa, floristas davam cravos aos militares. Os cravos simbolizam, para muitos e para Maria Rita Antunes, a liberdade que Portugal, passados muitos anos conseguiu reconquistar.

 

 

Daniela Santos

publicado por conta-mehistorias às 20:29

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