Somos o 9.º A da Escola EBI c/JI Cidade de Castelo Branco. Neste blog, publicaremos os nossos trabalhos realizados no âmbito da disciplina de Área de Projecto.

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Jun 10

Chamo-me Armando Esteves loureiro e nasci em 1944, no concelho de Viseu.

Fui aos sete anos para a escola e, quando vinha da escola, tinha de guardar um rebanho de ovelhas. Consegui tirar a quarta classe, aos doze anos. Lembro-me que, quando era feriado, hasteavam a bandeira portuguesa e cantávamos o hino nacional.

Depois de fazer a 4.ª classe, fui trabalhar para as obras, até aos dezoito anos, altura de ir para a tropa. Estive na tropa, até aos 25 anos. Lá, a vida era muito difícil, pois não se podia falar de certas coisas, tal como o regime político.

Quando saí de tropa, fui para França. Durante a viagem, não tive problemas nenhuns. Atravessei as fronteiras a pé. Cheguei a França e estive 8 dias sem trabalhar. Comecei novamente a trabalhar nas obras.

Ao fim de três anos, nos quais conheci a minha mulher, também ela imigrante portuguesa, vim para Portugal, para nos casarmos. Um mês após o casamento, voltámos para França, desta vez já os dois estávamos legais.

Trabalhei lá até aos trinta e cinco anos, tendo nessa idade vindo definitivamente para Portugal. Quando cá chegámos comecei novamente a trabalhar na agricultura.

 

Armando e a mulher, em França.

 

Armando, em França, com a mulher, a filha e vizinhas.

 

Tânia Antunes

 

 

publicado por conta-mehistorias às 21:41

Chamo-me Maria Neves da Ressurreição e nasci em 1943, no concelho de Oleiros.

Entrei para a escola, mas, com uma vida tão pobre como era naquela altura, não pude prosseguir com os estudos, apenas fui à escola 15 dias, não aprendi a ler, nem a escrever.

Com 7 anos de idade, tive de vir para Castelo Branco sozinha, para começar a trabalhar na limpeza de casas, para poder comer. O ordenado eram vinte escudos por mês e só me deixavam ir ver os meus pais de meio em meio ano.

Aos 15 anos, voltei para a minha terra, a guardar ovelhas, até ir para a França, aos 25 anos.

Devido ao medo que tínhamos da PIDE, a minha viagem para França foi atribulada. Um homem da minha terra ofereceu-se para me levar a mim e às minhas companheiras, até um certo sítio. Aí, iam ter connosco uns colegas dele que nos levariam até Vilar Formoso. Levávamos connosco um rapaz que tinha fugido da tropa. Quando chegámos a esse lugar, o condutor viu vir um carro e pensou que era a PIDE. Com medo de ser apanhado com o fugitivo, mandou-nos esconder no meio do mato. Afinal, eram os colegas dele que iam continuar o caminho connosco, mas ele não tinha reconhecido os sinais.

Começaram a chamar pelos nossos nomes, mas quanto mais eles chamavam por nós, mais nós fugíamos pelo mato dentro, pensando que o condutor nos tinha denunciado com medo. Caminhámos sem parar até que decidimos subir para a estrada. Eles, que tinham continuado à nossa procura, foram ter ao mesmo sítio. Encarámo-nos assim uns com os outros, mas, como era de noite, tivemos tempo de fugir para o mato, mais uma vez. Deixámo-los com medo, pois pensaram que fossem animais. Nós ouvíamos tudo o que eles diziam.

De manhã, quando deixámos de os ouvir, uma colega minha pôs-se à estrada, encarando com eles a meio do caminho. Reconheceu-os logo e foi-nos avisar que não se tratava da PIDE. Pernoitámos na casa de uma vizinha e no outro dia prosseguimos viagem de carro até Vilar Formoso, onde nos deram indicações de como devíamos atravessar a fronteira para Espanha.

Chegada à França, tinha o meu irmão à minha espera, foi ele que me arranjou lá trabalho. Fiquei lá a trabalhar, conheci o meu marido, também imigrante português, e casei.

 

 

Maria e o irmão em França.

 

Tânia Antunes

publicado por conta-mehistorias às 21:34

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