Somos o 9.º A da Escola EBI c/JI Cidade de Castelo Branco. Neste blog, publicaremos os nossos trabalhos realizados no âmbito da disciplina de Área de Projecto.

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Mar 10

Uma pequena trabalhadora

 

No dia 01 de Setembro de 1931, em Castelo Branco, nasceu, no seio de uma família humilde, uma menina a que deram o nome de Maria da Conceição Patrício Candeias, a minha avó materna. O pai, José António, trabalhava numa quinta desde o início do dia até ao entardecer. para poder ganhar a jorna. A minha bisavó Maria Bonifácia ficava em casa a cuidar da petiza. As recordações da minha avó, na década de 30/40, são de uma vida de muito trabalho, esforço e sacrifício e por isso não passaram por grandes dificuldades. Lembra-se de que era o pai, que tinha o direito à melhor refeição, (sopa e conduto), pois era ele que tinha que trabalhar de sol a sol. A sua alimentação era à base de pão e do que a terra que produzia: azeite, batatas, couves e fruta. Não tinha brinquedos. A sua brincadeira desde pequena era brincar às senhoras, ajudando a sua mãe nas lidas domésticas e andar no meio da horta, repetindo os seus gestos e acatando as suas instruções. No fundo, era uma pequena trabalhadora. Estes momentos repetiam-se dia após dia e partilhava-os com as outras crianças, suas vizinhas, que tinham o mesmo estilo de vida. Os anos passaram, a vida dos pais mudou e também a dela. A minha avó passou a ajudar os pais na criação de porcos de montado. Procediam ao abate dos mesmos num quintal, onde se deslocava um veterinário para fazer as vistorias. A minha avó, depois de desmanchar o porco, lavava as tripas com sal, sumo de limão e vinagre, para fazer os enchidos: chouriços, morcelas e farinheiras. A carne era vendida, por ela, no mercado municipal, onde hoje se encontra o edifício do Tribunal. Com toda esta actividade, ainda iniciou o estudo para auxiliar de Enfermagem, o qual teve de abandonar, devido ao estado de saúde precário da mãe. Ainda hoje recorda com alguma angústia a profissão de sonho de menina, mas revê-se, olhando para a filha, minha mãe, que é enfermeira.

 

 

 

 

Inês Candeias      

 

 

publicado por conta-mehistorias às 20:31

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