Somos o 9.º A da Escola EBI c/JI Cidade de Castelo Branco. Neste blog, publicaremos os nossos trabalhos realizados no âmbito da disciplina de Área de Projecto.

30
Mai 10

Chamo-me José dos Santos Duarte Louro e nasci a 31 de Março de 1940, no Casal da Serra, freguesia de São Vicente da Beira.

Só pude estudar até à 4ªclasse, porque tinha de ajudar o meu pai na distribuição das farinhas, pois tínhamos um moinho que moía a farinha para as aldeias das redondezas, como Louriçal do Campo, São Vicente da Beira, entre outras povoações.

Naquela altura, vivíamos com muitas dificuldades e, para sustentar a minha família, tive que ir trabalhar para a Guarda, nas minas da Panasqueira e para a construção civil.

Fui alistado, em 8 de Junho de 1960, e incorporado, em 24 de Janeiro de 1961, como recruta, com o número 20634, no quartel de Queluz.

Em 18 de Agosto de 1961, fui chamado para prestar serviço no C.T.J. de Cabo Verde. Era a primeira vez que ia andar de barco e sair do país.

Para nós, aquilo tudo era uma grande aventura, mas não sabíamos, na altura, qual seria a importância desta ida para Cabo Verde.

Tínhamos noção de que devíamos defender as nossas colónias, mas nunca pensando que esta guerra iria durar tanto tempo.

Desembarquei, em Cabo Verde, na Ilha do Sal. Para mim, tudo aquilo me fascinava, porque nunca tinha visto aquelas paisagens africanas.

A nossa missão, na ilha, era defender as nossas posições e guardar as mercadorias ali armazenadas. Para passar o tempo, organizávamos alguns programas, como jogar a bola, torneio de cartas, ir à praia ver os pescadores e os bailes com as africanas, para esquecermos as saudades da família.

Escrevia todas as semanas aos meus pais e à minha namorada, mas as cartas demoravam muito tempo a chegar.

Passaram-se, assim, 2 anos e 2 meses e, em 17 de Outubro de 1963, o meu serviço estava acabado. Regressei a Portugal, para junto da minha família.

Ainda hoje tenho esperança de lá voltar, para ver as mudanças que se foram surgindo ao longo dos anos.

 

José dos Santos Duarte Louro.

 

 

A averiguar as mercadorias acabadas de chegar.

 

 

Eu e os meus colegas na nossa camarata.

 

 

Porto de Cabo Verde.

 

Avião da Air France que transportava passageiros e mercadoria.

 

 

Eu e o meu colega vestidos com farda camuflada, para as manobras de reconhecimento da ilha.

 

 

Evandro Breia

 

publicado por conta-mehistorias às 09:40

Helena Alves conta, hoje, com um sorriso na cara, como viveu o dia 25 de Abril de 1974.

Com 20 anos, na altura, Helena trabalhava no supermercado Pão de Açúcar. Era seu costume sair e apanhar o autocarro para ir para casa. Nesse dia “não me deixavam sair, fiquei muito assustada, havia muitos militares a impedirem o nosso caminho, nem nos diziam que fazer.”

Conta que ao lado desse supermercado havia uma casa onde morava um padre. “Escondi-me lá dentro, estava muito assustada. Quando o Senhor Padre me viu, riu-se tanto e tentou explicar-me: era o caminho para a liberdade.”

Percebera então que Portugal deixara o regime político até então usado, e passara a ser livre. “Passámos a ser nós próprios.” O feriado nacional até hoje realizado é uma comemoração dessa data e dessa revolução liberalista de 25 de Abril de 1974.

O direito de falar, concordar, pensar, agir, e discordar deixara de ser um “segredo”, uma proibição e, desde então passou a ser um Direito de todos os Homens, “E viva o 25 de Abril”!

 

 

Jéssica Duarte

publicado por conta-mehistorias às 09:35

29
Mai 10

Maria José Azinheiro tem 81 anos e contou que, no tempo em que Salazar estava no governo, as pessoas não podiam dizer se ele governava bem ou mal, porque havia uma polícia chamada “PIDE”, que andava à civil, para não ser reconhecida pelas ruas. Escutava as conversas das pessoas e aquelas que falavam mal do governo eram logo presas e depois eram torturadas nas prisões. Mas isto acontecia mais nas cidades do que nas aldeias, porque as pessoas nas aldeias nem sabiam falar de política.

Naquela altura, a vida era muito difícil, vivia-se muito mal, porque andava a guerra na Espanha, e o governo mandava os bens alimentares para a guerra e Salazar disse aos portugueses “Eu livro-vos da guerra, mas não da fome”, e assim os portugueses já tinham menos alimentos para comer. O governo criou umas senhas para as pessoas irem aos mercados comprar os alimentos (massa, arroz, feijão…). As pessoas tinham dinheiro, mas não havia muitos alimentos para comprar.

Naquele tempo, havia mais miséria, porque as terras eram quase todas dos ricos e os pobres tinham muitos poucos terrenos para semear os cereais, mas Salazar também enriqueceu o país.

 

 

João Régio

publicado por conta-mehistorias às 13:35

27
Mai 10

António Salvado dos Santos tem 70 anos.

“Estive para ir para Moçambique, como militar, em 1960, tinha 20 anos, mas nessa altura só aceitavam pessoas que soubessem ler e escrever e, como não sei fazer nem uma coisa nem outra, acabei por não ir. Mas, em 62, quando a Guerra rebentou, voltaram à Póvoa da Atalaia e a todas as aldeias vizinhas e desta vez já aceitavam toda a gente, inclusive analfabetos. Acabei por não ser chamado, caso contrário, era obrigado a ir.

Neste mesmo ano (1962), casei-me com o amor da minha vida e dias depois parti para Lisboa e é aqui que começa a minha grande aventura.

Fui para Lisboa apenas com 20 tostões no bolso. Comecei a trabalhar a fazer valas para os esgotos e, curiosamente, não muito longe da casa onde vivia “Oliveira Salazar”. Trabalhei lá durante cerca de 7 anos e nunca o vi. A casa estava sempre guardada por vários seguranças e quando saía de casa já estava dentro do carro.

As aventuras de que me lembro são de várias vezes apanhar o teleférico à socapa, com os meus amigos, para não gastarmos dinheiro, e um dia, por fazermos isso tantas vezes, íamos apanhando uma valente sova do condutor.

Outra história de que me lembro, e esta bem mais engraçada, foi um dia de Verão, em que estava na hora de almoço, encostado a uma árvore, à sombra, com mais dois colegas. Um deles tinha o cabelo muito comprido e todo sujo. Nessa tarde, calharam a passar por lá os agentes da polícia e, quando o viram, chamaram-no para ir com eles. Quando voltou, tinha o cabelo completamente rapado e sempre que, depois, via aproximar algum agente da polícia, desatava a fugir.

Voltei para a Póvoa, em 1969, e meses depois emigrei para França. Desta vez, a minha mulher não me deixou ir sozinho e fomos os dois, deixando os meus filhos ao cuidado da avó materna. Ficámos em França até ao dia 20 de Abril de 1973, só vínhamos a Portugal muito raramente.

Em França, os emigrantes portugueses, sabendo dos problemas que Portugal atravessava, estavam todos receosos que houvesse uma revolução e que por consequência houvesse uma guerra civil. Então, no dia 20 de Abril de 1973, com medo da revolução, parti para Portugal a buscar os meus filhos, mas deparei-me com um problema: na fronteira, a Guarda Fiscal só me deixava passar com um filho. Então decidi levar a minha filha mais velha de “assalto” para França, isto é, passar a fronteira portuguesa clandestinamente.

Na altura, paguei 10 mil escudos para a levarem. Chegámos a França e um ano depois soubemos da revolução em Portugal (25 de Abril de 1974), mas acabei por decidir não voltar. Só voltei, definitivamente, em 1997.

 

 

Sandrine Pessegueiro

 

publicado por conta-mehistorias às 22:26

“O 25 de Abril foi uma época bastante difícil para muitas pessoas. Eu, António Fernandes, posso realmente confirmá-lo uma vez que estive presente na conhecida “Revolução dos Cravos”.

Como se sabe hoje, naquele tempo, não havia liberdade de expressão, devido ao regime ditatorial, e quem fosse apanhado a conspirar contra o governo era de imediato levado pela PIDE e depois castigado.

Na altura, era ainda muito jovem, mas apesar disso percebi que se estava a passar algo de errado e muito assustador, uma vez que só se ouviam gritos de homens, mulheres e crianças vindos de todo o lado. Gritos de aflição e medo, mas sobretudo gritos em que se ouvia “Revolução” e “Liberdade”, e então apercebi-me de que estava perante o dia em que possivelmente, com muito esforço, a política do nosso país poderia mudar.

No meio de tanta confusão, também já gritava pelo direito à liberdade e quando tudo acabou, eu só pensava, “finalmente vamos ter a liberdade a que um ser humano tem direito”, e assim foi sem tiros e sem sangue, apenas com flores se deu uma revolução, em que acabou tudo em bem e me orgulho de poder dizer que estive presente.”

 

António Luís Fernandes nos tempos de hoje.

 

Inês Silva

publicado por conta-mehistorias às 22:21

António Joaquim Mendonça Raposo tem 65 anos.

Foi para uma colónia portuguesa (Guiné) com 22 anos, esteve como cozinheiro que fazia a comida para os militares. Tinha que ir ao mato procurar comida, comprava porcos, vacas, galinhas, etc, aos agricultores que vendiam, para fazer comida para os militares. Esteve lá 23 meses.

Depois voltou para Lisboa, para o antigo trabalho, como chocolateiro na fábrica Regina.

Passado um ano, embarcou num barco de carga, como cozinheiro, e foi outra vez à Guiné e outras terras de passagem.

Depois voltou a Portugal e andou outra vez num barco de passageiros, como cozinheiro. Andou,  também, em petroleiros que transportavam o petróleo para Portugal, sempre como cozinheiro.

Reformou-se e veio para a sua terra natal, Monsanto.

 

João Régio

publicado por conta-mehistorias às 17:26

24
Mai 10

António Braz Reis, o meu avô, nasceu a 09 de Março de 1927, numa família pobre.

Fez toda a sua infância e adolescência, em Portugal, e aos 22 anos decidiu que tinha de emigrar para poder ter uma vida melhor. Emigrou para Angola.

Teve dificuldades quando lá chegar, pois não levava nada, a não ser a roupa que tinha vestida e 50 escudos.

Trabalhou em vários sítios, como por exemplo, trabalhou com caterpilares nas estradas, numa roça de café, em Cabundo, e nas obras públicas.

Após 7 anos, voltou a Portugal, onde conheceu a sua esposa. Alguns aos depois, volto novamente para Angola, onde casou e teve dois filhos.

O meu avô e a minha avó

 

 

Depois de uma caçada

 

O meu avô com as caterpilares

 

 

David Belchior

 

 

publicado por conta-mehistorias às 20:51

Jorge Roque, recorda, hoje, com 66 anos, as últimas décadas do Salazarismo.

Depois da recruta militar, serviu na província ultramarina da Guiné, entre Maio de 1965 (21 anos) e Fevereiro de 1967 (23 anos).

Colocado no lugar de Bula e Ingoré, combatia o inimigo sem saber a razão, pela qual guerreavam. Cumpriu sempre todas as suas funções, enquanto que muitos dos seus colegas fugiram para outros países.

"Uma noite, saímos pela bulanha, e ao amanhecer localizámos o acampamento do inimigo. Aí, começámos a dar fogo. Este, ao aperceber-se da nossa tropa, fugiu, começando a dar fogo também para o acampamento, julgando que nos encontrávamos lá. Ainda estivemos para avançar, mas felizmente houve quem nos dissesse para recuarmos, pois se assim não fosse, seria o nosso fim. O que mais me impressionou foram os corpos ali deixados no meio do mato. Recordações não muito boas."

Depois da Guerra, arranjou trabalho na Câmara Municipal de Castelo Branco, não sem antes assinar um protocolo de como não era político, ficando numa melhor situação financeira.

 

 

João Santos

 

publicado por conta-mehistorias às 20:46

Odete Roque recorda hoje, com 65 anos, as últimas décadas Salazaristas.

Lembra-se que, quando entrou para a escola, com 6 anos, quando alguém visitava a escola, ela e os seus colegas faziam o gesto de saudação Salazarista, isto é, levantar o braço, sem saber o que significava aquele gesto. Recorda também que todos os dias de manhã era obrigatório cantar o Hino Nacional e que, quando passavam nas ruas, se estava a ser erguida a Bandeira Nacional, tinham de se pôr em sentido.

Deixou a escola aos 12 anos, para ir trabalhar como empregada doméstica. Recebia muito pouco, chegando a passar fome. Apesar de tudo isto, ela refere que nem tudo era mau naquele tempo. Odete Roque sabia que estava bastante segura nas ruas, pois as autoridades tinham poder.

"Nós não tínhamos liberdade." - afirma Odete Roque, até para namorar, tinha de ser com a presença de um familiar mais velho.

A sua vida melhorou, em 1967, quando se casou. Arranjou um melhor emprego, na Câmara Municipal, ao lado do seu marido.

João Santos

publicado por conta-mehistorias às 20:42

23
Mai 10

A minha avó tinha 30 anos e morava em Castelo Branco, quando se deu a “Revolução dos Cravos”.

Diz que eram por volta de 6 horas da manhã, quando ouviu, na telefonia, que os generais e as tropas tinham cercado a casa onde estava Marcelo Caetano e o tinha prendido.

Muitos soldados foram a casa onde se encontravam os papéis da PIDE e do governo e mandaram tudo pelas janelas fora. Prenderam também muita gente que pertencia à PIDE.

No meio dos soldados, apareceu uma mulher com cravos e colocou um cravo na ponta da espingarda de cada soldado.

Diz também que os políticos, como Mário Soares, Álvaro Cunhal, entre outros que estavam refugiados no estrangeiro, porque tinham fugido ao governo, voltaram a Portugal, nos meses seguintes.

Ainda acrescenta que as canções que eram contra ao governo foram cantadas nesse dia, como a “Grândola Vila Morena”.

E diz que foi nesse dia que se passou a ter “liberdade de expressão”.

 

 

Jéssica Caroça

publicado por conta-mehistorias às 14:42

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