Somos o 9.º A da Escola EBI c/JI Cidade de Castelo Branco. Neste blog, publicaremos os nossos trabalhos realizados no âmbito da disciplina de Área de Projecto.

27
Mai 10

António Salvado dos Santos tem 70 anos.

“Estive para ir para Moçambique, como militar, em 1960, tinha 20 anos, mas nessa altura só aceitavam pessoas que soubessem ler e escrever e, como não sei fazer nem uma coisa nem outra, acabei por não ir. Mas, em 62, quando a Guerra rebentou, voltaram à Póvoa da Atalaia e a todas as aldeias vizinhas e desta vez já aceitavam toda a gente, inclusive analfabetos. Acabei por não ser chamado, caso contrário, era obrigado a ir.

Neste mesmo ano (1962), casei-me com o amor da minha vida e dias depois parti para Lisboa e é aqui que começa a minha grande aventura.

Fui para Lisboa apenas com 20 tostões no bolso. Comecei a trabalhar a fazer valas para os esgotos e, curiosamente, não muito longe da casa onde vivia “Oliveira Salazar”. Trabalhei lá durante cerca de 7 anos e nunca o vi. A casa estava sempre guardada por vários seguranças e quando saía de casa já estava dentro do carro.

As aventuras de que me lembro são de várias vezes apanhar o teleférico à socapa, com os meus amigos, para não gastarmos dinheiro, e um dia, por fazermos isso tantas vezes, íamos apanhando uma valente sova do condutor.

Outra história de que me lembro, e esta bem mais engraçada, foi um dia de Verão, em que estava na hora de almoço, encostado a uma árvore, à sombra, com mais dois colegas. Um deles tinha o cabelo muito comprido e todo sujo. Nessa tarde, calharam a passar por lá os agentes da polícia e, quando o viram, chamaram-no para ir com eles. Quando voltou, tinha o cabelo completamente rapado e sempre que, depois, via aproximar algum agente da polícia, desatava a fugir.

Voltei para a Póvoa, em 1969, e meses depois emigrei para França. Desta vez, a minha mulher não me deixou ir sozinho e fomos os dois, deixando os meus filhos ao cuidado da avó materna. Ficámos em França até ao dia 20 de Abril de 1973, só vínhamos a Portugal muito raramente.

Em França, os emigrantes portugueses, sabendo dos problemas que Portugal atravessava, estavam todos receosos que houvesse uma revolução e que por consequência houvesse uma guerra civil. Então, no dia 20 de Abril de 1973, com medo da revolução, parti para Portugal a buscar os meus filhos, mas deparei-me com um problema: na fronteira, a Guarda Fiscal só me deixava passar com um filho. Então decidi levar a minha filha mais velha de “assalto” para França, isto é, passar a fronteira portuguesa clandestinamente.

Na altura, paguei 10 mil escudos para a levarem. Chegámos a França e um ano depois soubemos da revolução em Portugal (25 de Abril de 1974), mas acabei por decidir não voltar. Só voltei, definitivamente, em 1997.

 

 

Sandrine Pessegueiro

 

publicado por conta-mehistorias às 22:26

“O 25 de Abril foi uma época bastante difícil para muitas pessoas. Eu, António Fernandes, posso realmente confirmá-lo uma vez que estive presente na conhecida “Revolução dos Cravos”.

Como se sabe hoje, naquele tempo, não havia liberdade de expressão, devido ao regime ditatorial, e quem fosse apanhado a conspirar contra o governo era de imediato levado pela PIDE e depois castigado.

Na altura, era ainda muito jovem, mas apesar disso percebi que se estava a passar algo de errado e muito assustador, uma vez que só se ouviam gritos de homens, mulheres e crianças vindos de todo o lado. Gritos de aflição e medo, mas sobretudo gritos em que se ouvia “Revolução” e “Liberdade”, e então apercebi-me de que estava perante o dia em que possivelmente, com muito esforço, a política do nosso país poderia mudar.

No meio de tanta confusão, também já gritava pelo direito à liberdade e quando tudo acabou, eu só pensava, “finalmente vamos ter a liberdade a que um ser humano tem direito”, e assim foi sem tiros e sem sangue, apenas com flores se deu uma revolução, em que acabou tudo em bem e me orgulho de poder dizer que estive presente.”

 

António Luís Fernandes nos tempos de hoje.

 

Inês Silva

publicado por conta-mehistorias às 22:21

António Joaquim Mendonça Raposo tem 65 anos.

Foi para uma colónia portuguesa (Guiné) com 22 anos, esteve como cozinheiro que fazia a comida para os militares. Tinha que ir ao mato procurar comida, comprava porcos, vacas, galinhas, etc, aos agricultores que vendiam, para fazer comida para os militares. Esteve lá 23 meses.

Depois voltou para Lisboa, para o antigo trabalho, como chocolateiro na fábrica Regina.

Passado um ano, embarcou num barco de carga, como cozinheiro, e foi outra vez à Guiné e outras terras de passagem.

Depois voltou a Portugal e andou outra vez num barco de passageiros, como cozinheiro. Andou,  também, em petroleiros que transportavam o petróleo para Portugal, sempre como cozinheiro.

Reformou-se e veio para a sua terra natal, Monsanto.

 

João Régio

publicado por conta-mehistorias às 17:26

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