Somos o 9.º A da Escola EBI c/JI Cidade de Castelo Branco. Neste blog, publicaremos os nossos trabalhos realizados no âmbito da disciplina de Área de Projecto.

30
Mai 10

João de Almeida esteve, na Guerra Colonial, em Angola, onde era comandante de um batalhão.

Numa das caminhadas nocturnas, preparavam-se para acampar. Já formada a meia-lua, João deu-se conta de que os seus soldados estavam a ser cercados por uma tropa de Angolanos que, por sua vez, formaram um circúlo mais largo que abrangia todos os soldados Portugueses.

Naquelas tropas, se matassem o comandante, os restantes soldados “batiam em retirada”.

No tiroteio lançado pela tropa Portuguesa, ao acaso, um disparo foi atingir o Superior Angolano, sendo assim a sorte dos Portugueses, visto que era de noite e, caso isso não tivesse acontecido, todos teriam sido mortos, ali mesmo.

Noutra emboscada, ao prepararem-se para acampar, puseram as armas junto a uma árvore. Um dos soldados apercebeu-se de um rúido causado por um inimigo Angolano que tentava disparar, mas não conseguia, pois as balas encravaram, devido a ficarem danificadas, na passagem por rios. Notando isto, um dos soldados saltou para agarrar uma das armas, ao acaso, e disparou, acertando na perna do inimigo. Ao chegarem ao local, depararam-se apenas com três balas e um pedaço de carne da perna, no chão.

Jéssica Duarte
publicado por conta-mehistorias às 22:17

Maria Rita Antunes, de 76 anos, contou-me como foi o 25 de Abril. Na altura, tinha 40 anos e vivia com as suas três filhas que estavam a estudar.

Em Portugal, desde que Salazar subiu ao poder, vigorava um regime ditatorial que impedia o povo português de falar mal ou discordar de qualquer coisa que estivesse relacionada com política, pois caso o fizessem, seriam presos e rudemente torturados nas prisões.

A PIDE tinha sob escuta todas as vias de comunicação e ninguém sabia quem eram os membros da PIDE, porque estes andavam vestidos à civil. Tinha de se ter muito cuidado.

Anos depois, António de Oliveira Salazar ficou incapacitado de governar, devido a uma queda grave, e foi substituído por Marcelo Caetano que seguiu a política de Salazar.

Antes do 25 de Abril, todas as pessoas estavam descontentes, mas não o podiam demonstrar. No entanto, os estudantes faziam muitas manifestações.

A revolução foi organizada pelo Movimento de Capitães que organizou as tropas e as coordenou. A adesão popular veio depois, quando as tropas já estavam nas ruas.

Na madrugada de 25 de Abril, a Rádio Renascença passa a música de Zeca Afonso, “Grândola Vila Morena”, que moveria as tropas. Pelas ruas de Lisboa, floristas davam cravos aos militares. Os cravos simbolizam, para muitos e para Maria Rita Antunes, a liberdade que Portugal, passados muitos anos conseguiu reconquistar.

 

 

Daniela Santos

publicado por conta-mehistorias às 20:29

Chamo-me José dos Santos Duarte Louro e nasci a 31 de Março de 1940, no Casal da Serra, freguesia de São Vicente da Beira.

Só pude estudar até à 4ªclasse, porque tinha de ajudar o meu pai na distribuição das farinhas, pois tínhamos um moinho que moía a farinha para as aldeias das redondezas, como Louriçal do Campo, São Vicente da Beira, entre outras povoações.

Naquela altura, vivíamos com muitas dificuldades e, para sustentar a minha família, tive que ir trabalhar para a Guarda, nas minas da Panasqueira e para a construção civil.

Fui alistado, em 8 de Junho de 1960, e incorporado, em 24 de Janeiro de 1961, como recruta, com o número 20634, no quartel de Queluz.

Em 18 de Agosto de 1961, fui chamado para prestar serviço no C.T.J. de Cabo Verde. Era a primeira vez que ia andar de barco e sair do país.

Para nós, aquilo tudo era uma grande aventura, mas não sabíamos, na altura, qual seria a importância desta ida para Cabo Verde.

Tínhamos noção de que devíamos defender as nossas colónias, mas nunca pensando que esta guerra iria durar tanto tempo.

Desembarquei, em Cabo Verde, na Ilha do Sal. Para mim, tudo aquilo me fascinava, porque nunca tinha visto aquelas paisagens africanas.

A nossa missão, na ilha, era defender as nossas posições e guardar as mercadorias ali armazenadas. Para passar o tempo, organizávamos alguns programas, como jogar a bola, torneio de cartas, ir à praia ver os pescadores e os bailes com as africanas, para esquecermos as saudades da família.

Escrevia todas as semanas aos meus pais e à minha namorada, mas as cartas demoravam muito tempo a chegar.

Passaram-se, assim, 2 anos e 2 meses e, em 17 de Outubro de 1963, o meu serviço estava acabado. Regressei a Portugal, para junto da minha família.

Ainda hoje tenho esperança de lá voltar, para ver as mudanças que se foram surgindo ao longo dos anos.

 

José dos Santos Duarte Louro.

 

 

A averiguar as mercadorias acabadas de chegar.

 

 

Eu e os meus colegas na nossa camarata.

 

 

Porto de Cabo Verde.

 

Avião da Air France que transportava passageiros e mercadoria.

 

 

Eu e o meu colega vestidos com farda camuflada, para as manobras de reconhecimento da ilha.

 

 

Evandro Breia

 

publicado por conta-mehistorias às 09:40

Helena Alves conta, hoje, com um sorriso na cara, como viveu o dia 25 de Abril de 1974.

Com 20 anos, na altura, Helena trabalhava no supermercado Pão de Açúcar. Era seu costume sair e apanhar o autocarro para ir para casa. Nesse dia “não me deixavam sair, fiquei muito assustada, havia muitos militares a impedirem o nosso caminho, nem nos diziam que fazer.”

Conta que ao lado desse supermercado havia uma casa onde morava um padre. “Escondi-me lá dentro, estava muito assustada. Quando o Senhor Padre me viu, riu-se tanto e tentou explicar-me: era o caminho para a liberdade.”

Percebera então que Portugal deixara o regime político até então usado, e passara a ser livre. “Passámos a ser nós próprios.” O feriado nacional até hoje realizado é uma comemoração dessa data e dessa revolução liberalista de 25 de Abril de 1974.

O direito de falar, concordar, pensar, agir, e discordar deixara de ser um “segredo”, uma proibição e, desde então passou a ser um Direito de todos os Homens, “E viva o 25 de Abril”!

 

 

Jéssica Duarte

publicado por conta-mehistorias às 09:35

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